Sandra e Joab em passeio a um sítio na cidade de Bonito (foto: arquivo pessoal).

“Ele começou a verbalizar muito cedo. Aos nove meses, até cantava”, conta Sandra sobre o filho Joab. O jovem nasceu em setembro de 1995 e aos dois anos e oito meses recebeu diagnóstico de autismo. Na época, os pais já haviam percebido que o menino não era comum. “Com dois anos, ele parou de falar de vez. Sempre soubemos que ele era diferente, mas não tinhamos nem ideia do que era autismo”, explica.

Apesar do primeiro diagnóstico ter sido fechado em 1998, foi aos sete anos que os pais de Joab compreenderam melhor a condição do filho. Uma viagem de cerca de 830 km, da pequena cidade de Caarapó (Mato Grosso do Sul) até Curitiba (Paraná), para consultá-lo com um neurologista confirmou: o autismo era severo, não verbal.

De acordo com dados divulgados pelo site Autism Speaks em 2009, 25% das crianças autistas são não verbais. A estimativa foi feita com base em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos.

Lidando com as dificuldades

Entre as maiores dificuldades de conviver com um filho que não fala, Sandra ressalta: “A gente precisa adivinhar muita coisa”. Como exemplo, fala de uma dor de dente que incomodou Joab há algum tempo. “Demorei muito a entender o que era, porque ele não conseguia me explicar. Tivemos que fazer uma microcirurgia no dente, com anestesia geral”, relata.

Josie Ferreira, mãe do Mateus, de quase 24 anos, concorda. Segundo ela, quando sente dor, o filho tenta se comunicar por meio de gritos e agitação motora. “Normalmente, é comum que autistas severos sejam ligados à rotina. Mas quando ele tem uma certa agitação e nada mudou, sabemos que é alguma dor”, diz.

Josie e Mateus a caminho da terapia (foto: arquivo pessoal).

O tempo de convivência também ajudou Josie a compreender que Mateus emite sons com entonações diferentes, dependendo do que quer comunicar. “Claro que para alguém que não conhece, vai ser sempre o mesmo som, de grito. Mas para mim, que sou mãe, é mais fácil”, garante.

Aprendizados e comunicação (ainda que não verbal)

Aos 22 anos, Joab precisa de cuidados todo tempo. Parte da adaptação pós-diagnóstico fez os pais repensarem suas profissões “Eu trabalhava como auxiliar de enfermagem. Acabei abandonando o emprego para me dedicar a ele. Meu marido é artista plástico, e trabalha por conta própria”, conta. Sair também é tarefa difícil, especialmente se for para festas ou eventos com muitas pessoas. “Não adianta, incomoda muito ele e logo temos que ir embora. Ele gosta de andar de carro e moto,  de passear em àreas mais tranquilas, chácaras, sítios etc”, acrescenta Sandra.

Já Mateus, desde cedo foi acostumado a sair. Quando pequeno, saía com a mãe para shoppings, supermercados, praças e outros eventos. Se as crises surgissem nesses momentos, Josie tinha um truque:


Mateus em passeio (foto: arquivo pessoal).

Andava com panfletos, e cheguei até a usar uma camiseta na qual estava escrito: meu filho é especial (autista) e estou fazendo com que ele se comporte bem em público. Caso esse bom comportamento não aconteça, peço-lhes desculpas. Sou apenas uma mãe lutando por seu filho especial”

Apesar da falta de comunicação pela fala, ela afirma que o filho aprendeu a dizer o que deseja. “O Mateus não fala nenhuma palavra até hoje. Mas ele aprendeu a se comunicar muito bem com os olhos. As terapias, a convivência social e tudo mais o ajudaram a ter mais qualidade de vida. Hoje, ele é uma pessoa muito feliz”, finaliza.

Fonte: Portal Singularidades

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